Entrevista | Maísa Flora

Conheça mais sobre a artista que colaborou com o nosso Desfile V26

Conte para nós, quem é Maísa Flora?

Meu nome é Maísa Flora. Sou artista têxtil, mineira e arquiteta por formação. A arte sempre esteve presente na minha vida, mas foi através da tapeçaria que encontrei o meu lugar no mundo.

Ainda criança, comecei a criar minhas primeiras peças com os retalhos da confecção da minha avó. Durante a pandemia, reencontrei essa atividade que havia ficado adormecida. Descobri no tufting uma forma de expressão que me permite unir técnica, emoção e liberdade formal. Desde então, mergulhei em estudos, pesquisas e muitas experimentações, até desenvolver meu próprio jeito de criar tapeçarias para parede.

Acredito profundamente que a arte é uma forma de criar vínculos, de transformar o cotidiano em algo mais bonito, sensível e criativo.

Quais são as sensações que você quer transmitir para quem tenha contato com as suas peças?

Quero que minhas peças provoquem uma sensação de descoberta, como quem caminha por um jardim e vai sendo surpreendido por texturas, curvas e cores que despertam os sentidos. Quero que, ao encontrar uma tapeçaria, a pessoa sinta uma pausa no tempo. Um respiro. A sensação de aconchego, de calma, de abrigo. Que aquela peça resgate memórias sensoriais. Minhas obras convidam ao toque, ao olhar atento, à contemplação.

O que você espera da colaboração do seu trabalho com a marca? Como está sendo o processo de criação das peças e dos detalhes que estarão na passarela?

Essa colaboração com a Lenny Niemeyer tem sido um encontro muito especial entre dois universos que valorizam a forma, o movimento e a beleza natural. O que eu espero dessa união é justamente isso: que o meu trabalho em tapeçaria, com suas curvas e texturas orgânicas, possa ganhar novos corpos, literalmente, ao vestir pessoas e desfilar em outros territórios da arte e da moda.

O processo de criação tem sido uma experiência sensorial. Estou desenvolvendo as peças a partir das curvas, que já são minha marca registrada, e explorando ainda mais suas possibilidades a partir da inspiração no jardim do Palácio Capanema. Ali, a arquitetura e a natureza convivem com fluidez, e essa convivência tem guiado nossa pesquisa de texturas, cores e volumes.

Onde você busca inspiração para as suas peças e como é o seu processo criativo?

Minha maior fonte de inspiração é a natureza. Ela me oferece as texturas, as cores e as formas que se transformam nas curvas da tapeçaria. Viver rodeada de natureza me permite estar imersa nesse ambiente de contemplação: as folhas que caem, o voo dos pássaros, a luz entrando pela janela, as estações mudando… Tudo isso se torna matéria-prima criativa.

Mas o meu processo vai além do que se vê. Ele passa pela escrita, pelas anotações caóticas (e preciosas) em cadernos. Faço isso para esvaziar a mente e abrir espaço. Depois vem a pesquisa. Busco referências visuais, salvo imagens que me tocam, analiso por que algo me chamou a atenção. E então chega o momento do ócio criativo: as pausas, o silêncio. É nesse intervalo que, muitas vezes, surgem as melhores ideias.

Criar, para mim, é estar presente e ser curiosa. É permitir-se viver e transformar o que se vive em arte.

TOPO